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Tendências das passarelas O/I 26/27: artesanato humano versus moda de IA

Na temporada de O/I 26/27, os designers resgatam a autoria humana, abraçam a imperfeição e se destacam nas passarelas na era das imagens geradas por inteligência artificial.
A side-by-side collage of a real catwalk image and an AI-generated picture
Left: Altuzarra, right: WGSN AI image

Com a crescente popularidade das imagens geradas por IA, os estilistas estão se voltando para o processo, a imperfeição e a materialidade para afirmar a autoria. Em um mercado saturado de mesmice, a criatividade visível e as trocas culturais genuínas estão se tornando rapidamente a moeda mais valiosa da moda.

Nas passarelas do outono/inverno 26/27, uma nova tendência está emergindo: o Renascimento do Real. Essa tendência da moda anti-IA é um movimento em que os estilistas enfatizam o trabalho artesanal visível, a imperfeição e o processo material para afirmar a autoria humana. Em um mundo de design guiado por IA, a moda está se voltando para acabamentos táteis, construção crua e marcas expressivas que sinalizam o trabalho feito por pessoas, não por máquinas. Continue lendo para descobrir como diferentes marcas aplicaram essa tendência nas passarelas da semana de moda.

Por que a moda está rejeitando o brilho da IA?

WGSN AI Image

De Nova York a Londres, as passarelas de O/I 26/27 sinalizam uma mudança poderosa. Enquanto a inteligência artificial redefine as indústrias criativas, os designers reforçam a autenticidade do feito à mão através de peças com a estética #WorkInProgress, celebrando a beleza do processo de criação em vez de escondê-lo. Nesta temporada, a imperfeição deixa de ser um erro para se tornar uma escolha de design deliberada e estratégica.

Em uma era marcada pela precisão algorítmica e por estéticas digitais perfeitas, a moda se volta para o que é falho, tátil e inconfundivelmente humano.

Hannah Watkins, Head de Estamparia e da WGSN, explica: 

“O design está evidenciando sua origem humana. À medida que o visual gerado por IA se torna generalizado, criativos e marcas se apoiam no processo, na imperfeição e na materialidade para provar que o trabalho é feito por pessoas, não por máquinas.”

A ascensão do Renascimento do Real

WGSN AI Image

Como previsto pela WGSN, o Renascimento do Real captura uma mudança fundamental que está remodelando a moda atual. À medida que a tecnologia e a IA aceleram a transformação, também impulsionam um movimento contrário, enraizado na experiência tátil e no toque humano. Em uma cultura de conectividade constante, desconectar-se tornou-se um luxo, e esse desejo se traduz em uma moda que celebra técnicas tradicionais, o trabalho manual visível e a integridade dos materiais.

À medida que as máquinas dominam habilidades antes humanas, a pergunta "o que nos torna humanos?" ganha força, levando os designers a defenderem a autenticidade como um poderoso diferencial em um mercado cada vez mais homogêneo. Estamos vendo isso se refletir nas passarelas do Outono/Inverno 26/27 por meio de estampas #WorkInProgress e looks focados no processo criativo, que revelam deliberadamente o trabalho manual.

Como a semana de moda abraçou a imperfeição

A tendência de moda anti-IA #WorkInProgress propõe que o produto abrace o processo em vez de o polir. Como visto nas passarelas do outono/inverno 26/27, acabamentos desgastados, punhos manchados e abrasões intencionais (notavelmente na Prada) posicionam a idade e o uso como novos marcadores de autenticidade e luxo moderno.

1. Estampas de impacto: desenhadas, não geradas 

Altuzarra, Emilia Wickstead, Altuzarra

No lugar da repetição algorítmica, as estampas celebram a assimetria e o impacto visual. A Altuzarra, por exemplo, potencializa essa narrativa com estampas localizadas marcantes e cheias de atitude. Para as equipes de estilo, a grande oportunidade está em contar histórias através desses posicionamentos fortes e da intervenção artística visível.

2. Florais artísticos: posicionamento expressivo 

Caroline Zimbalist, Max Mara, ROKSANDA

Emilia Wickstead representa o movimento #WorkInProgress através de florais com um toque de pintura que evocam uma qualidade quase inacabada. Os motivos parecem pincelados em camadas, refletindo como a moda tem abraçado designs expressivos e focados no "fazer" em plena era da IA.
Em vez da simetria perfeita, o posicionamento das estampas parece instintivo. Essa sutil quebra de padrão reforça a individualidade, um valor essencial para consumidores que buscam produtos com conexão emocional.

Da mesma forma, marcas como ROKSANDA reafirmam seu compromisso com o artesanato original, priorizando a expressão artística ao polimento digital.

3. Clássicos reinventados: herança com um toque humano 

Stine Goya, Henrik Vibskov, Emilia Wickstead

Na Henrik Vibskov, os clássicos retornam renovados por cores vibrantes e um styling lúdico. O xadrez pied-à-poule ganha uma irregularidade que lembra um esboço feito à mão, seguindo o mood #WorkInProgress.

Essa atualização humaniza padronagens tradicionalmente precisas. Os códigos familiares continuam lá, mas a execução está mais solta e expressiva. É o refinamento dando lugar à identificação e ao toque pessoal.

4. Alfaiataria de corte a fio: o artesanal como luxo moderno 

Ashlyn, Erdem, Ashlyn

Os acabamentos imperfeitos ganham força com a alfaiataria de corte a fio (o famoso "fio cru"), um dos detalhes definidores da temporada. O blazer da Ashlyn, com costuras contrastantes, exemplifica bem essa direção: as linhas de construção são realçadas em vez de escondidas. A mão de quem produz, antes oculta por trás de acabamentos imaculados, agora é o que agrega valor à peça.

O que o Renascimento do Real significa para a moda

WGSN AI Image

Essa mudança em direção à autenticidade genuína sinaliza uma reformulação mais ampla da indústria: a moda está ativamente resgatando o valor do trabalho manual em uma era saturada pelo brilho artificial gerado por inteligência artificial. Ao defenderem a arte na moda e priorizando uma estética centrada no processo, os designers afirmam que o feito à mão importa mais do que nunca.

Além do produto, isso também remodelará a narrativa. Espere que o marketing destaque o trabalho artesanal dos bastidores, do estúdio ao ateliê, à medida que a transparência se torna um novo indicador de luxo. Isso também aponta para um aumento de colaborações significativas e de longo prazo, com designers e marcas priorizando parcerias justas com artesãos e guardiões do artesanato. Em um mercado inundado de mesmice, a criatividade visível e o intercâmbio cultural genuíno estão se tornando rapidamente a moeda mais valiosa da moda.

Por que os consumidores anseiam por design feito pelo ser humano?

WGSN Original Artwork

Com a inundação de feeds com imagens geradas por IA e designs hiperpolidos, a perfeição começa a parecer impessoal, até mesmo indigna de confiança. A rejeição da moda criada por IA reflete um desejo crescente por honestidade, individualidade e conexão emocional. Os consumidores estão cada vez mais atraídos por peças que parecem humanas: visivelmente trabalhadas, ligeiramente imperfeitas, ricas em história e processo. Em vez de verem as imperfeições como defeitos, passam a considerá-las prova de autenticidade e valor.

Hannah Watkins, Head de Estamparia e da WGSN, explica: 

“Em um cenário de mesmice, designs que mostram a mão por trás do trabalho oferecem algo que os algoritmos não conseguem replicar: significado.”

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